Outros caminhos

Caminhar por caminhos já caminhados aprende-se que há diferenças em qualquer tempo.
Preciso estar com o Espírito solto e confiar, mas reto na rota querida.
Vejo coisas que não via e aprendo a utilizar fragmentos que se tornam a essência.
Sou dominado pelo som do trovão e almejo o aroma do deserto.
Descanso a alma e procuro o próximo destino.
Sem dúvidas.

Tempo e velocidade - land-art


Nas retas paralelas não euclidianas, as não coplanares, as distâncias percorridas
variam no tempo.




Mas, no resguardo dos registros o tempo é igual.

E a velocidade não existe.

Remir o tempo


Eu aguardo, tenho todo o tempo disponível, mas não tarda estou ficando velho.
Sou de menos, mais ou menos.
Meu Vento. Minhas Formas.
Minha Luz. Meus Pensamentos.
Minha Água. Minhas Pedras.
Minhas Cores. Meus Sons
e Minhas Matas,
eu me abro ou eu me fecho.
Tenho fome e tenho sede, estou ficando cansado.
Quero mais, muito mais.

Agente de seleção ou elemento estimulador


Estando disperso pelos infinitos pontos da linha espiral, esses girando no seu eixo,
cruzada pela reta, eu encontro.

Eu não me perco.

Eu estou em algum ponto do Universo, como um grão de areia.



Fazenda Judá

Em 2006 apresentei essa proposta de cobertura para uma festa na Fazenda Judá.

Aceita e executada a cobertura foi dividida em 17 partes irregulares, algumas sobrepostas criando uma ventilação melhor, com vários suportes/pilares entre vegetações e vasos com a nascente de água natural no centro.

Os focos de luz estavam em várias direções com intensidade e cores diferentes, ora quentes, ora frias.

Com perfumes do orvalho do sertão, do gado, de fumaça, dos lírios do mato, doces e comidas mineiras e músicas selecionadas para o enlevo da alma, festejamos. Resumo, coisa linda de se ver no sertão, alegria sem medida entre ricos e pobres, fracos e fortes, jovens e velhos, todos irmanados.

Lembranças que ficam só no coração, não registrei nada e foi muito bom assim.

Curso natural



Ficar perdido numa floresta como essa e ainda a noite, não foi fácil.
Olhar para cima e não ver nada não me servia para nada.
Para o chão era a melhor solução, onde era mais úmido havia água
e havendo água seguindo o veio sairia em algum lugar.
O lugar onde o gado bebe e achando o gado ele me levaria para casa.
O lugar ficou marcado.
E o tempo ficou parado.

C121a

Caminhos isolados, atravessados, na distância percorrida com tropeços e contornos, nas transposições aos saltos me levam a lugares que não queria estar, porém mapeados.

Me abrigo num abrigo que não abriga, mas abrigo a companhia e me alegro com a ternura da companheira dos meus passos, minha mulher, Cecília.

Pigmento

Lâmpada feita a mão

Marca o que é seu e o que eu quero para ser meu. Eu vejo.


Da terra, dos animais, dos vegetais e das rochas e não sei mais do que, mais a água, figura entre figuras, pela luz colore o mundo, informa o espaço. No escuro eu sinto.


Disparate


Os lugares insisto, são vulgares não importam porque o elegemos.
São pelas necessidades dos desejos momentâneos, convencionais ou não.
Se estando neles, refletir a ocupação longe do coração dá uma melhor compreensão com certeza de selecionada companhia.
No disparate do “e”, quem será ela?
Ou, nós com quem?

Disparate,

FOLC. : Divertimento de salão, que consiste em se escreverem, numa folha de papel, em colunas que vão sendo dobradas para se ocultar o que se escreveu, os nomes dos homens, em seguida os das mulheres, precedidos da conjunção e, depois a ação que praticam e finalmente o lugar em que a praticam. Desdobrado o papel, lêem-se as linhas resultantes, as quais provocam muito riso entre os presentes, por constituírem disparates, como por exemplo: João e Maria estão cantando no banheito de Pedro Carneiro.


Coisa dita ou feita fora de propósito?

"The"




Não leio jornal nenhum e tão pouco vejo televisão há mais de 20 anos,
não me faz falta nenhuma, não quero saber nada sobre:
política, economia, guerras, crimes, fofocas, novelas,
reality life, in fact, the fact one after the other.



Folheio revistas, raro leio, sobre aqueles assuntos nunca, folheio,
vejo as imagens das revistas mais caras, nacionais ou internacionais,
não compro, acho ou ganho.

(elas ditam o rumo das outras, uma copía a outra)

"The" vulgo da "The New York Times-Style Magazine",
chama-me a atenção o logotipo em letras góticas > Gôdos,
bárbaros X românicos (+- 700 dc).


Fui saber porque usam essa família de letras.


No século II d.C., surgia uma nova forma para armazenar conhecimentos.
O pergaminho era o substituto do artifício utilizado na Antigüidade, quando até então os textos eram escritos em folhas de papiro.
As folhas de pergaminho eram organizadas em cadernos que, juntos ou costurados, formavam o codex.

Exemplares célebres, que chegaram ao mundo atual:

o Codex Runicus (escrita rúnica) e o Codex Argenteus (manuscrito gótico).

O trabalho de cópia dos manuscritos na Idade Média era realizado no interior dos mosteiros, num local chamado scriptorium. Os monges copistas encarregados deste trabalho de copiar textos dividiam-se em grupos.

Uns estavam encarregados de escrever os códices (pendolistas) e outros, de iluminá-los (miniaturistas).
Os títulos e os vários tipos de letras eram enfeitados ao extremo.

A ornamentação da escrita era variada: podia ser antropomórfica (figuras humanas), inspirada em figuras zoomórficas (com motivos de animais), ou podia contar com adornos baseados na tradição dos entrelaçados irlandeses.
A minuciosidade requerida para a elaboração dos manuscritos foi fruto da preferência do cristianismo pela adoção de letras distantes das empregadas na Roma Antiga (como a versal clássica), pois esta escrita era considerada pagã.

Então, os mosteiros privilegiaram a uncial. Nesses tempos, a caligrafia estilizada dos documentos oficiais merovíngios, caracterizada pelo prolongamento das letras acima e abaixo, serviu de modelo para os manuscritos dos mosteiros.

Dr. José Mindlin mostrou-me alguns incunábulos e Livros das horas de sua biblioteca são de uma precisão absurda, considerando a época em que foram feitos e manualmente e em alguns, aparecendo as linhas auxiliares.

Os textos antigos também foram deformados porque eram grafados em diferentes tipos de escrita, sendo as principais: a capital, da época romana; a uncial; e as escritas nationales, como a lombárdica, a merovíngia e a visigótica. As influências merovíngia e anglosaxônica resultaram no advento da minúscula, cuja variante irlandesa, com suas características formas angulosas, foi levada à Inglaterra e ao continente pelos frades missionários.
Porém, nos séculos VIII e IX, a escrita angulosa foi substituída pela minúscula carolíngia (Carlos Magno), caracterizada pela clareza de suas formas simples.
À medida que os manuscritos se multiplicavam, crescia a necessidade de tornar a escrita uniformizada, a fim de serem inteligíveis; e a minúscula carolíngia colaborava para melhor atingir este objetivo.

A letra gótica, completamente distinta do modelo carolíngio, teve origem por volta do século XI, na Bélgica e no norte da França. No livro El Arte De La Escritura, organizado pela UNESCO (Paris: Editora da UNESCO, 1965, p.29), há uma comparação entre as escritas carolíngia e gótica e as arquiteturas românica e gótica:

"Enquanto a minúscula carolíngia correspondia à arquitetura românica, a gótica apresentava linhas angulosas e delgadas do estilo gótico.

As curvas se estiram e se quebram; os extremos superiores dos traços se prolongam em espátula, finos perfis angulosos unem entre si os traços generosos".

No século XV, os primeiros impressores tomaram a escrita gótica como modelo, reproduzindo com fidelidade os manuscritos e adotando, inclusive, os ornamentos feitos pelos monges.


Os miniaturistas começavam seu trabalho nas imprensas, com o intuito de garantir os enfeites das maiúsculas, que eram pintadas à mão ou gravadas em madeira.(xilogravuras)
Com o advento da imprensa os caracteres se dividiam em dois grupos: os tipos angulosos, inspirados na minúscula gótica, e os tipos arredondados ou romanos, que tinham como modelo a minúscula carolíngia.

Ainda no século XV percebeu-se o quanto a letra gótica, caracterizada por sua vertiginosa ornamentação, adequava-se melhor aos manuscritos litúrgicos. Desenvolveu-se, então, uma letra derivativa da gótica e condizente com a simplicidade requerida pelo uso diário: a bastarda.
Entre 1450 e 1500, o uso da letra gótica foi paulatinamente abolido do cotidiano, em decorrência do desenvolvimento científico e comercial, e também porque a rapidez crescente com que as correspondências eram enviadas ocasionou um natural descuido na elaboração desta escrita estilosa.

Nesses idos Aldus Manutius desenhou os tipos romanos e itálicos, que talvez foram os precurssores de fontes atuais
As corporações de copistas estavam sobrecarregadas de trabalho e despreparadas para a nova realidade, impulsionada pela demanda de textos reproduzidos rapidamente.

Definitivamente, escrever à mão sobre pergaminhos era um procedimento muito lento, em nada condizente com os novos tempos. O papel, vindo da China por intermédio dos árabes, substituiu o pergaminho por ser muito menos custoso e assim também contribuiu para instaurar a crise entre os copistas.

Todavia, ainda no século XVII, eram impressos livros em pergaminho para leitores exigentes.
Posteriormente, as manifestações artísticas do Barroco perceberam na escrita gótica um modo excelente para encher as maiúsculas de arabescos.
Nos tipos de imprensa, esta letra vai perdendo espaço, mas entre os calígrafos é praticada com um imenso prazer, pois permite a revelação da virtuosidade desses artistas.
Os tipos angulosos predominaram ao norte dos Alpes, enquanto na Itália foram mais utilizados os caracteres góticos mais arredondados, chamados de escrita gótica redonda, caracterizada pela Fraktur.

A gótica redonda caracteriza-se pelo aspecto quebrado dos traços, pela inclinação das minúsculas, pela prolongação de certos traços altos, pela acentuação mais ou menos pronunciada dos traços baixos e pela "tromba de elefante" das iniciais.

Já no século XVI, os humanistas optaram por escrever os livros de autores clássicos, que eram novamente descobertos, com caracteres derivados da minúscula carolíngia. Ao contrário dos caracteres góticos, com seus traços dinâmicos e duros, os caracteres romanos permitiam a construção geométrica e uma análise racional.
Dürer entregava-se ao estudo de construção geométrica das letras góticas com um princípio completamente diferente do habitual,
Utilizava uma combinação entre linhas retas e arcos circulares, inscrevendo as letras em quadrados formalizando as proporções com a divisão do quadrado pela mediatriz dos lados.

A profissão de caligrafista foi devidamente reconhecida até fins do século XVIII. As atas e documentos oficiais seguiram utilizando a letra gótica até o início do século XIX. Colaboração com Carla Damasceno

Usam essa fonte por ter sido a primeira fonte a ser usada pela impressa, Johannes Gutenberg em 1456 a utilizou na impressão do primeiro livro a Bíblia.


Surgindo a imprensa as bibliotecas começam a proliferarem embora lá pelos idos de 350 ac em Alexandria várias cidades possuiam a sua.

Identifiquei 24 jornais que utilizam essa mesma família de letras e desenvolveram características estilísticas proprias, a saber:

1. Austin American - Stateman

Austin, Texas - www.statesman.com

2. Boston Sundae Globe

Boston, Mass - www.boston.com

3.Chigago Tribune

Chigago, Ill. - www.chigagotribune.com

4. Detroit Free Press

Detroit, Mich. - www.freep.com

5. Diário de Notícias

Lisboa, Port - www.dn.pt

6. Folha Universal

São Paulo, SP - www.folhauniversal.com.br

7. Hartford Courant

Hartford, Conn. - www.courant.com

8. Seatle Post

Seatle, Wash. - www.seattlepi.nwsource.com

9. The Boston Globo

Boston, Mass. - www.boston.com

10. The Columbus Dispatch

Columbus, Ohio - www.dispatch.com

11. The Gazette

Colorado, Colo. - www.gazette.com

12.The Miami Herald

Miami, Flo. - www.miamiherald.com

13. The New York Times

New York, NY. - www.nytimes.com

14. The Oregonian

Portland, Ore. - www.oregonlive.com

15. The Providence Journal

Providence, R.T. - www.projo.com

16. The Register - Guard

Eugene, Ore. - www.registerguard.com

17. The State

Columbia, S.C. - www.thestate.com

18. The Times - Picayune

New Orleans, La. - www.timespicayune.com

19. The Virginian Pilot

Norfolk, Va. - www.thevirginianpilot.com

20. The Washington Post

Washington, DC. - www.washington.com

21. The Wichita Erge

Wichita, Kan. - www.kansas.com

22. Union Tribune

San Diego, Cal. - www.signonsandiego.com

23. San José Mercury News

San José, Cal. - www.mercurynews.com

24. St. Petersburg Times

St. Petersburg, Fla. - www.tampabay.com

25.Frankfurter Allgemeine

Frankfurt, Ale. - www.faz.net

Um bom livro sobre bibliotecas :

A conturbada história das bibliotecas - Matthew Battles, São Paulo,

Editora Planeta 2003